6 de set. de 2012


Duas coisas me motivaram a ler Sábado à Noite: Uma review que dizia que o livro era ruim de alguém desocupado que apenas queria promover um blog, e o fato de que as páginas de SAN começaram a ser escritas como as do Diário de Um Banana: Na internet. Digo que a Babi é a Jeff Kinney dos adolescentes por isso - ao invés de querer passar a ideia de que tudo é certinho e que vai ficar bem, ambos decidem mostrar como realmente é a vida de um jovem.
Esperava desse livro uma coisa tão mimizenta e chata quanto Crepúsculo. O que recebi, meu caro, foi justamente o contrário: SAN é mimizento? Claro que sim. Todo romance tem sua parte tão melosa que você fica querendo dizer “BEIJA LOGO, Ô MANÉ!” Mas ao contrário de outros livros que falam de amor para adolescentes, ele não se prende nisso. SAN é uma história de amizades, de música, de jovens e seus defeitos (ou seja, se você espera um adolescente mané, que não bebe, não sai de casa e é praticamente um vegetal, liga a TV e põe no Disney Channel que é só o que tem lá, beleza?)... Chega a ser algo tão elétrico que você acaba se revoltando, rindo, e até com vontade de bater em alguns personagens às vezes!
Os Marotos e o grupinho da Amanda me lembraram bastante os T-Birds e as Pink Ladies do Grease. Imagine Summer Nights com o “Conta mais! Conta mais!” da Sandy e do Danny voltado para os Scotty, a banda mascarada – e formada pelos Marotos, o grupo de baderneiros da escola – que está fazendo o maior sucesso por sua identidade secreta e pelas músicas que tem algum significado para os cantores (e para a Mandy também). Assim foram os primeiros momentos do livro pra mim.
Os rapazes – tirando o grupinho de jocks riquinhos que se acham donos do mundo porque fazem academia – são mais marcantes que as garotas, outra coisa que me chamou bastante atenção. Na verdade, achei as meninas fúteis e chatas durante as primeiras páginas – depois até acabei descobrindo que vários outros fãs do livro pensaram a mesma coisa! - mas depois mostram que acima de toda a futilidade, elas conseguem sim ser pessoas legais e leais umas as outras. Achei legal que a Amanda percebeu com o tempo que certas futilidades são desnecessárias... O chato é que ao invés de se rebelar e mostrar quem realmente é, ela fica dando uma de Veronica Sawyer (do filme Atração Mortal) conformada. MAS, na vida real é assim em quase todos os casos, não é?
Num mercado onde praticamente o que vende hoje em dia são jovens com algum tipo de poder sobrenatural, Babi ainda aposta na fórmula “real e envolvente” que fez de John Hughes o rei dos filmes jovens dos anos 80 - e referência para qualquer um que embaque nesse carrossel. O final estilo “E O Vento Levou” (com todos aqueles votos de perseverança da parte da principal, mesmo com o mundo desmoronando ao seu redor) me passou a mesma sensação de ódio/putaquepariuquefantástico que senti ao ver o filme Last American Virgin – e eu jurava que não ia passar por esse mesmo sentimento uma terceira vez. Pobre mortal.
O que realmente ficou devendo foi a menção de atos nacionais. Percebi que os Scotty, embora sempre pegassem ótimas músicas pra tocar no baile, nunca usaram um Cazuza, por exemplo. Isso deixou o livro meio "enlatado" (nada que o prejudique). E, HAHAHA, tá que eu li por aqui que o livro é Chique alguma coisa, mas eu não precisava de certos detalhes sobre o “estado roupal” do Daniel, dona Dewet! HAHAHAHA
SAN é uma ótima leitura, e um dos melhores livros pra jovem que já li dessa nova safra. Se você estiver na faixa etária, vai amar e viver cada momento como se fosse seu, e se você for mais velho, com certeza vai lhe render boas lembranças do passado. Agora que a batalha por uma editora já foi conquistada, o próximo passo é fazer uma produtora colocar essa maravilhosa história nas telonas. Parabéns, Babi, por ser autora de um dos livros nacionais mais legais que já dedilhei! (e obrigado a você que quis ler o que eu escrevi!!!)

Pensamentos Finais:
Recebi muitos comentários de pessoas dizendo que eu iria ODIAR a Amanda após terminar de ler o livro. Muito pelo contrário, gostei muito dela. Amanda é um retrato fiel do adolescente: Ela sabe que tá fazendo m%$#a, mas tem medo de fazer o certo e encarar as pessoas porque ela é insegura. E isso é ser adolescente.

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