24 de abr. de 2012

Texto do Saudosismo


Muitas vezes fui – e ainda sou – extremamente criticado por minha “reclusão social”, ou porque eu não gosto de bandas como “Solteirões do Forró”, ou artistas como “Luan Santana”. Chamam-me de “desapreciador” da cultura nacional e um perfeito idiota por apenas ouvir músicas velhas.
O que na verdade é bem o contrário: Quem perde tempo gastando dinheiro com CDs de Luan Santana, ou até você, que deu 99 centavos de dólar no single do Teló pelo iTunes, é quem realmente assassina a música Brasileira. Não escuto “Saúde” ou “Palavras ao Vento” porque quero dar uma de mais maduro – pelo contrário: é falta de opção (e bom gosto) mesmo. Comparo coisas como “Assim Você me mata” à embalagem de um chocolate: após consumir o conteúdo… Lixo! E é o que eu, como Brasileiro residente em território nacional, vejo: grande exposição de músicas mal escritas e repetitivas, de um gênero que sinceramente não deveria ter nascido (sertanejo “universitário”???), descrevendo atitudes galinhas e infantis e criando gírias espantosamente ridículas para ações que deveriam ser levadas a sério, não na brincadeira. “Tchê Tchê rê rê Tchê Tchê”… Não serve nem pra se candidatar à macumba.
Nos anos 70, os artistas LUTAVAM para escrever algo que denunciasse os problemas sociais e que passasse despercebido pelo regime militar que reinava na época. Geraldo Vandré foi torturado de uma forma tão brutal que ele sequer lembra que escreveu “Pra não dizer que não falei das flores”. Mortos, desparecidos, exilados. Todos eles pagaram um preço na esperança de ver um futuro no meio cultural, e é assim que vocês agradecem?
Posso ouvir músicas do tempo do meu avô, mas pelo menos sei que elas me fazem crescer mental e culturalmente. Pelo menos não fico com a consciência pesada por dizer que estou ouvindo “musica brasileira”. A você, consumidor das embalagens de chocolate… Passar bem – e bem longe de mim!

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