22 de dez. de 2011

A PISCINA

Cá estamos nós, no último dia de aula. Tudo parecia calmo e perfeito enquanto as meninas passavam batom e os meninos faziam fila para mostrar seu lado feminino ao sufocarem a pobre Ellen para alisar seus cabelos. Todos estavam prontos… Mas, como apenas Jesus é perfeito - e aparentemente ele não deve partilhar dessa perfeição com ninguém  -, a câmera descarregou. 60 minutos eram necessários para dar carga total. “Eu só saio daqui quando tirar fotos. Passei horas ajeitando meu cabelo”, falava Clerianny, descontente com a situação. Os minutos passaram, e alguém reascendeu a ideia que já iluminava nossas mentes desde ontem à tarde: “Ah… Vamos pra piscina!” - grita um dos meninos.
Antes de continuar, quero esclarecer o porquê da tara de ir para a piscina expressa algumas linhas atrás - e não, não era porque o clima estava bom. Tradicionalmente, todos os pré-vestibulandos, no último dia de aula, comemoram o fim de uma extensiva jornada estudantil pulando na piscina e dando prejuízo a escola - já que segundo superiores, “sempre quebram o filtro”. É nesse sentimento de liberdade que continuo a história no parágrafo a seguir.
De repente, um mutirão de alunos de fardamento diferente se forma no corredor do Ensino Médio. Uma Ceiça, (que aos poucos fica menor e menor) na esperança de deter alguém que não estava alertado da manjada desculpa citada acima, grita: “Vocês irão adoecer. A piscina está com produtos hoje”.
“Então ficaremos doentes,” gritamos e seguimos em frente. Descer as escadas como animais nos faz lembrar os tempos de Educação Infantil, onde você saboreava o doce gostinho de areia molhada como se fosse a comida mais refinada do mundo. Professores comentam que “isso já é um ritual”, enquanto alunos de séries menores nos olham com o mesmo pensamento que eu há um ano: “Mal vejo a hora de chegar a minha vez.”
Chegamos a área da piscina e já estava à postos para pular as grades, quando notei que a escola já previu que pularíamos de uma maneira ou outra e deixou os portões abertos. Segui para o aglomerado na porteira de ferro e, antes que eu pudesse perceber, jogaram a Ellen do começo do texto na piscina. E lá ficou ela por alguns segundos nos encarando com uma mistura de riso e “sem gracisse” dizendo “Não acredito… Eu fui a primeira, boy!” E um por um, pulamos. “Uh-Uh é Terceirão”, o grito de guerra, foi entoado diversas vezes em meio à splashes causados pelas gotas de água que se deslocavam.
Minutos após essa breve comemoração, alguém vê Judhar e Felipe sentados num banco, alegres. “Não estamos molhados,” aposto que era isso que estavam pensando.  Espero que isso seja suposição, porque nossos queridos colegas trataram de carregar os dois para dentro d’água. E assim se sucedeu com as meninas mais patricinhas. Todas maquiadas e enfeitadas, elas esperneavam e gritavam seus nãos, mas eu sabia que elas estavam apenas escondendo o desejo de participar da festa. Fabinho (como é conhecido), um ex-colega, também foi arremessado. “Eu só vim aqui para olhar…” – disse, meio chateado.
Avistei nossa professora de História, Leyla, e gritei para pegarem-a umas cinco vezes, até que os rapazes resolveram contrariar Lídia, que repetia: “Ela é nossa companheira lá fora, mas aqui ela é nossa professora” e foram em busca da pobre – que correu deles o máximo que pode. Peguei meu celular e fui gravar esse momento histórico: A primeira turma a jogar um professor dentro da piscina. E se vocês acham que desistimos porque uma parcela ficou em recuperação, sinto muito dizer que Leyla caiu. Ela nos olhava furiosa, mas feliz de poder participar daquele momento conosco. “Depois dessa, tenho que sair em pelo menos uma foto”, ela dizia. Nossos celulares foram as lentes que registraram todo o momento.
“Agora, vamos alugar um guindaste para jogar Alan”, articulava Fabinho. Depois de fotos e mais fotos, resolvemos dar as mãos e fazer um pulo magistral. Depois de cantar “nossa, nossa, assim você me mata”, Gianluca grita desesperado: “Vamos pra piscina!” E logo após fizemos uma rodinha na piscina (como um bom acampamento noturno ao redor da fogueira, mas dentro d’água) e começamos a cantar músicas velhas - que aparentemente todos conhecem, menos eu - e a nos abraçar como se nunca mais fôssemos nos ver... E assim passamos os minutos finais naquele local, como uma grande família.
O último momento narrado por mim me fez perceber que os incontáveis períodos de desunião que presenciei este ano não são porque a turma se odeia. Nós somos irmãos... E temos momentos TPM, não importa o sexo. Mas irmãos no fundo se amam. Eles têm uma conexão inquebrável e onde quer que estejam, embora não tendo muito contato, eles sentem uns aos outros de uma maneira que nem a ciência poderá explicar.

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