Cá
estamos nós, no último dia de aula. Tudo parecia calmo e perfeito
enquanto as meninas passavam batom e os meninos faziam fila para mostrar
seu lado feminino ao sufocarem a pobre Ellen para alisar seus cabelos.
Todos estavam prontos… Mas, como apenas Jesus é perfeito - e
aparentemente ele não deve partilhar dessa perfeição com ninguém -, a
câmera descarregou. 60 minutos eram necessários para dar carga total.
“Eu só saio daqui quando tirar fotos. Passei horas ajeitando meu
cabelo”, falava Clerianny, descontente com a situação. Os minutos
passaram, e alguém reascendeu a ideia que já iluminava nossas mentes
desde ontem à tarde: “Ah… Vamos pra piscina!” - grita um dos meninos.
Antes
de continuar, quero esclarecer o porquê da tara de ir para a piscina
expressa algumas linhas atrás - e não, não era porque o clima estava
bom. Tradicionalmente, todos os pré-vestibulandos, no último dia de
aula, comemoram o fim de uma extensiva jornada estudantil pulando na
piscina e dando prejuízo a escola - já que segundo superiores, “sempre
quebram o filtro”. É nesse sentimento de liberdade que continuo a
história no parágrafo a seguir.
De repente, um mutirão de alunos
de fardamento diferente se forma no corredor do Ensino Médio. Uma Ceiça,
(que aos poucos fica menor e menor) na esperança de deter alguém que
não estava alertado da manjada desculpa citada acima, grita: “Vocês irão
adoecer. A piscina está com produtos hoje”.
“Então ficaremos
doentes,” gritamos e seguimos em frente. Descer as escadas como animais
nos faz lembrar os tempos de Educação Infantil, onde você saboreava o
doce gostinho de areia molhada como se fosse a comida mais refinada do
mundo. Professores comentam que “isso já é um ritual”, enquanto alunos
de séries menores nos olham com o mesmo pensamento que eu há um ano:
“Mal vejo a hora de chegar a minha vez.”
Chegamos a área da
piscina e já estava à postos para pular as grades, quando notei que a
escola já previu que pularíamos de uma maneira ou outra e deixou os
portões abertos. Segui para o aglomerado na porteira de ferro e, antes
que eu pudesse perceber, jogaram a Ellen do começo do texto na piscina. E
lá ficou ela por alguns segundos nos encarando com uma mistura de riso e
“sem gracisse” dizendo “Não acredito… Eu fui a primeira, boy!”
E um por um, pulamos. “Uh-Uh é Terceirão”, o grito de guerra, foi
entoado diversas vezes em meio à splashes causados pelas gotas de água
que se deslocavam.
Minutos após essa breve comemoração, alguém vê
Judhar e Felipe sentados num banco, alegres. “Não estamos molhados,”
aposto que era isso que estavam pensando. Espero que isso seja
suposição, porque nossos queridos colegas trataram de carregar os dois
para dentro d’água. E assim se sucedeu com as meninas mais patricinhas.
Todas maquiadas e enfeitadas, elas esperneavam e gritavam seus nãos, mas
eu sabia que elas estavam apenas escondendo o desejo de participar da
festa. Fabinho (como é conhecido), um ex-colega, também foi arremessado.
“Eu só vim aqui para olhar…” – disse, meio chateado.
Avistei
nossa professora de História, Leyla, e gritei para pegarem-a umas cinco
vezes, até que os rapazes resolveram contrariar Lídia, que repetia: “Ela
é nossa companheira lá fora, mas aqui ela é nossa professora” e foram
em busca da pobre – que correu deles o máximo que pode. Peguei meu
celular e fui gravar esse momento histórico: A primeira turma a jogar um
professor dentro da piscina. E se vocês acham que desistimos porque uma
parcela ficou em recuperação, sinto muito dizer que Leyla caiu. Ela nos
olhava furiosa, mas feliz de poder participar daquele momento conosco.
“Depois dessa, tenho que sair em pelo menos uma foto”, ela dizia. Nossos
celulares foram as lentes que registraram todo o momento.
“Agora,
vamos alugar um guindaste para jogar Alan”, articulava Fabinho. Depois
de fotos e mais fotos, resolvemos dar as mãos e fazer um pulo magistral.
Depois de cantar “nossa, nossa, assim você me mata”, Gianluca grita
desesperado: “Vamos pra piscina!” E logo após fizemos uma rodinha na
piscina (como um bom acampamento noturno ao redor da fogueira, mas
dentro d’água) e começamos a cantar músicas velhas - que aparentemente
todos conhecem, menos eu - e a nos abraçar como se nunca mais fôssemos
nos ver... E assim passamos os minutos finais naquele local, como uma
grande família.
O último momento narrado por mim me fez perceber
que os incontáveis períodos de desunião que presenciei este ano não são
porque a turma se odeia. Nós somos irmãos... E temos momentos TPM, não
importa o sexo. Mas irmãos no fundo se amam. Eles têm uma conexão
inquebrável e onde quer que estejam, embora não tendo muito contato,
eles sentem uns aos outros de uma maneira que nem a ciência poderá
explicar.








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